09 agosto 2010

KARMA


Seja ele aquela figura de homem que se imagina vestida com uma gabardine como se se tratasse de um manto negro que esconde todas as (in)justiças kármicas de que tem de tratar, esgueirando-se pelos cantos da vida de cada um, perseguindo-os e retirando-lhes tudo a que não têm direito, como paga por algo cometido erroneamente no passado. Seja apenas uma desculpa daqueles que não compreendem o porquê de tanto mal lhes estar a acontecer e precisarem desesperadamente de algo ou alguém a quem culpar tal acontecimento cósmico.
Seja o que ou quem for… Tentei ser educada… Tentei fazer tudo certo e jogar o teu jogo… Se me apareces à frente… Pontapeio-te no estômago, esmurro-te a cara, arranco-te os cabelos, e no final ainda te enfio uma bala no lugar onde devias ter o coração.

Um dia contaram-me uma teoria interessante. Que tanto pode ser verdade, coincidência, ou apenas mais uma mera justificação para aquilo que não tem explicação. Seja como for, era e continua a ser uma teoria interessante, mais que não seja pela pessoa que a contou na altura.
Juntando essa teoria ao muito falado Sr. Karma, só posso concluir uma de duas coisas:
Ou este Sr. tirou uns meses de férias para me atormentar mais do que o necessário e esqueceu-se de tratar do resto do mundo, ou então tirou uns meses de felizes férias para o outro lado do mundo e esqueceu-se de deixar alguma felicidade neste lado.
Qualquer das opções, o outro lado do mundo deve andar numa autêntica festa nos últimos meses, com direito a tudo de bom, roubando a este canto do mundo tudo o que ele merecia e deixando-o com nada mais do que o simples nada.


Não sendo isto uma ameaça com repercussões físicas, mas apenas verbais e imaginárias, quando espreitares para o buraco onde me enfiaste, Sr. Karma, vou puxar-te pela mão para dentro dele. Ficarás lá comigo o tempo suficiente para fazer do teu corpo uma escada que me levará para fora daqui; libertarei de ti a vida que roubaste a outros; pegarei no teu manto e farei dele a minha própria mortalha, e com ele vestido irei ter com aquele que detém o poder sobre esta dita justiça cósmica pela qual te dizes reger, e pedir-lhe-ei justificações por aquilo que não sabes que andas a fazer.

Foto: i can read


[Se um dia perceber a lógica e a justiça disto tudo, retiro estas palavras vãs.]

2 comentários:

Luís Miroto Simões disse...

Gosto da maneira como escreves.

Parabéns!

Liadan disse...

Obrigada Luís =)