Enterro 2013, faz o favor de te assemelhares a este dia (algures em 2009), sim?
Porque todos nós chegamos a um momento em que devíamos dizer isto, porque apesar de tudo o que nos possa acontecer, temos que nos compôr e seguir em frente.
10 abril 2013
Sei o que ouviste no enterro passado (II)
Enterro 2013, faz o favor de te assemelhares a este dia (algures em 2009), sim?
Sei o que ouviste no enterro passado
Já não sei quantos anos passaram desde o dia de natiruts. Mas, foi uma grande noite. Tenho a certeza disso. Completamente ;)
30 março 2013
A caminho...
Percorremos o mesmo caminho mais do que uma vez. Temos medo
de uma nova escolha. De errarmos na direcção. E por isso mantemo-nos naquela
estrada que já nos é tão familiar. E por isso quando pensamos em mudar, inicialmente a única coisa que fazemos é voltar atrás e recomeçar.
Mas, quando olhamos para o chão e vemos a estrada marcada
por dezenas de passadas, gasta pelo uso, quando tropeçamos nos buracos que os
nossos próprios pés já fizeram, percebemos que temos de voltar a começar de novo.
Mas, desta vez tem de ser a serio. Tem de ser mais do que só um recomeço. Tem de
ser um início.
A escolha é difícil sim. Um início é muito mais duro que um
recomeço. Mas ajuda saber (ou pelo menos acreditar) que “chegamos sempre ao sítio aonde nos esperam”(José Saramago)
29 março 2013
06 março 2013
Confusion...
Ela chega
perto dele, em lágrimas, e pede-lhe perdão. Diz que o ama e que não sabe como
viver sem ele na vida dela. Por isso age de forma tão imatura, tão adolescente.
Porque não sabe quem é sem ele. Ele não quer, mas abraça-a, porque ela é dele,
porque ele nunca deixou de ser dela. Naquele abraço, tudo à volta deixa de
existir. Tudo o que foi dito a terceiras pessoas, tudo o que foi sentido e
imaginado. Tudo. Desaparece naquele abraço.
As mãos dele
redescobrem o corpo que há tanto tempo não sentiam. As mãos dela, tímidas e
trémulas, acariciam o rosto que não via há demasiado tempo.
Envolvem-se
num misto de saudade e amor. Numa mistura de carinho e remorso. Ele entra nela
com um tal carinho que a deixa de lágrimas nos olhos e um sorriso nos lábios.
Movem-se como se de um só corpo se tratassem. Esquecem o que foi e o que poderá
vir a ser. Esquecem passado e futuro. E por instantes, abandonam o presente em
que vivem. É palpável o sentimento que existe em cada movimento, em cada
carícia, em cada palavra sussurrada ao ouvido. É palpável e audível o amor que
deles nunca desapareceu. E no final, o grito foi uníssono, corpos movendo-se
num movimento tão suave, que acompanha o gemido final que celebra o amor que há
tanto não partilhavam.
Nus, ela
adormeceu aninhada no peito dele, com os braços dele a rodearem-lhe o corpo.
Como que pedindo para ela não se ir embora. Como dizendo a quem os visse que
ela era dele e dali ele não a ia deixar sair.
Manhã, ele
acorda e vê-se sozinho na cama. Teria sonhado? Não. Ela estava ali, sentada na
ponta da cama. Vestida. A olhar para ele. Ele sentiu que algo não estava bem.
Ele viu-a a aproximar-se dele com um sorriso tímido nos lábios. Um sorriso
tímido e triste. Sentiu os lábios dela pegarem nos seus num beijo tão carinhoso
que até fez doer. Sentiu os lábios dela se encostarem à sua testa ao de leve. E
ouviu o que desejou ser surdo para não escutar. “Adeus”.
03 março 2013
Mudança (Em inglês. Porque isto é sempre a mesma m**** em qualquer parte do mundo)
It all starts with you thinking
that you’re not good with changes. And then your whole world has transformed.
You're stuck. The future's staring you in the face. And you're not sure you like what you see. You realize the ground beneath you has shifted, that things are uncertain. The world around you is different now. Unrecognizable. And there's nothing you can do about it. But the body can be stubborn when it comes to accepting change. The mind holds out hope that the body can be whole again and fights for that hope, tooth and nail. And then, finally, your head realizes it. There's no turning back. It understands its new reality and accepts that what is gone is gone forever.
Sometimes the changes are forced on us, sometimes they happen by accident, and we make the most of them. We have to constantly come up with new ways to fix ourselves. We have to keep reinventing ourselves almost every minute because the world can change in an instant, and there's no time for looking back.
You're stuck. The future's staring you in the face. And you're not sure you like what you see. You realize the ground beneath you has shifted, that things are uncertain. The world around you is different now. Unrecognizable. And there's nothing you can do about it. But the body can be stubborn when it comes to accepting change. The mind holds out hope that the body can be whole again and fights for that hope, tooth and nail. And then, finally, your head realizes it. There's no turning back. It understands its new reality and accepts that what is gone is gone forever.
Sometimes the changes are forced on us, sometimes they happen by accident, and we make the most of them. We have to constantly come up with new ways to fix ourselves. We have to keep reinventing ourselves almost every minute because the world can change in an instant, and there's no time for looking back.
So we change, we adapt, we
create new versions of ourselves.
But like I said, I'm not big
into change.
24 fevereiro 2013
Fim da tarde. Inicio de qualquer outra coisa
Inspirei fundo. Deixei que o ar salgado inundasse os meus pulmões. Expirei e voltei a repetir o mesmo ritual. Como se cada lufada daquele ar fosse capaz de limpar todo o meu corpo. Dei um passo. E depois mais outro. Caminhei devagar. Sem pressa de chegar a lado algum. O vento batia-me na cara e a cada passo que dava fustigava-me com uma força que me era bem vinda. Caminhar sem propósito, só com a sensação de que tinha de continuar a andar e vencer a corrente foi o que ocupou a minha mente durante um tempo que pareceu infindável.
Fechei os olhos. A intensidade do vento aumentou. O som do mar revolto que deslizava ao meu lado pareceu subir de volume, e o cheiro a maresia pareceu envolver cada centímetro da minha pele.
E de repente tudo parou. Abri os olhos e vi o que tinha acalmado toda aquela batalha que se desenrolava à minha volta e me mantinha abstraída do resto do mundo.
O céu tinha ganho a cor que anuncia a última réstia de calor do dia. O pôr do sol tinha trazido o silêncio. E com ele veio um único pensamento "Um dia gostava de te trazer aqui. De partilhar isto contigo". E como que a adivinhar que me estava de novo a perder na minha própria mente, o vento voltou e limpou o meu pensamento. Desfez cada traço de tristeza, cobrindo a minha face com as madeixas de cabelo que tinha conseguido soltar e obrigou-me de novo a andar.
Fiz o caminho de volta acompanhada pela luz que marca o fim do dia...mas que promete sempre o regresso de um outro novo.
Fechei os olhos. A intensidade do vento aumentou. O som do mar revolto que deslizava ao meu lado pareceu subir de volume, e o cheiro a maresia pareceu envolver cada centímetro da minha pele.
E de repente tudo parou. Abri os olhos e vi o que tinha acalmado toda aquela batalha que se desenrolava à minha volta e me mantinha abstraída do resto do mundo.
O céu tinha ganho a cor que anuncia a última réstia de calor do dia. O pôr do sol tinha trazido o silêncio. E com ele veio um único pensamento "Um dia gostava de te trazer aqui. De partilhar isto contigo". E como que a adivinhar que me estava de novo a perder na minha própria mente, o vento voltou e limpou o meu pensamento. Desfez cada traço de tristeza, cobrindo a minha face com as madeixas de cabelo que tinha conseguido soltar e obrigou-me de novo a andar.
Fiz o caminho de volta acompanhada pela luz que marca o fim do dia...mas que promete sempre o regresso de um outro novo.
20 fevereiro 2013
Era uma vez...
Costumava ter um desejo quase sôfrego
por livros. Perdia-me nas páginas de um livro tão facilmente que me esquecia do
que realmente me rodeava. Viajava por sítios em que nunca estive, conhecia
pessoas de todas as raças e feitios. Mais do que conhecer as personagens principais
dos livros que li, durante alguns bocadinhos, eu era essa mesma personagem. Pisava
o mesmo chão que elas, sofria o mesmo golpe que elas, alegrava-me com o
desfecho feliz que finalmente conseguiam alcançar, como se esse mesmo final me
fosse destinado a mim.
Um dia o desejo sôfrego diminuiu. Quase desapareceu. Desculpava-me e dizia que já não tinha tempo. A verdade, percebo-a agora, é que o tempo que me faltava não era para ler as letras amontoadas em cada linha. O tempo era escasso para viver a vida de outras personagens. Estava finalmente a viver o meu próprio conto de fadas e por isso não sentia a mesma necessidade de me aventurar em qualquer outro conto.
Percebo isso agora, pois quando o
meu conto não teve o final que eu esperava voltei-me de novo a embrenhar nas
páginas das histórias dos outros. Voltei a deixar-me hipnotizar pelas milhares
de letras, que juntas contam a história de alguém que ficará para sempre
imortalizado entre uma capa e uma contra capa.
Tinha saudades deste vício. Tenho
pena de só ter voltado a procura-lo nestas circunstâncias.
Mas aprendi a minha lição. A
partir de hoje passamos a viver em simbiose. Eu e as personagens que vivem
entre as páginas do meu vício. Seja qual for a minha própria história.
“I stare down at my shoes, watching as a fine
layer of ash settles on the worn leather…..” (The mockinjay. S. Collins)
E de repente também eu vejo as
cinzas…mesmo que não seja eu a personagem que está a olhar para os sapatos. E
assim começa mais uma aventura…
17 fevereiro 2013
acreditar que é verdade parte II
"E afinal o cabelo cresce, a gripe cura-se, a ferida cicatriza, a noite torna-se dia, o inverno é substituído pelo verão e respiras fundo."
Pensamento de fundo dos próximos dias. Repetir a quantidade de vezes que forem precisas até que volte a ser verdade**
Pensamento de fundo dos próximos dias. Repetir a quantidade de vezes que forem precisas até que volte a ser verdade**
03 fevereiro 2013
Metades
Pensamos que somos o dobro de tudo, duas vezes mais que ontem e duas menos que amanhã.
Mas, no final somos apenas metade de qualquer coisa que já foi.
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