Porque todos nós chegamos a um momento em que devíamos dizer isto, porque apesar de tudo o que nos possa acontecer, temos que nos compôr e seguir em frente.
11 abril 2013
As cenas são assim. E "prontos"!
Quis ser médica, bióloga, super-fixe, salvar o mundo, descobrir a cura para o cancro, ser-super-famosa-mas-ao-mesmo-tempo-tão-humilde.
É engraçado que quando somos pequenos, o mundo para nós é uma infinitude de possibilidades. E em adultos, teimamos dizer que isso não é possível. que não podes dizer/fazer/comer isto e aquilo. Prendemo-nos à porcaria do tempo (temporal) e do espaço e do contexto e do caneco. A tudo. E deixamos de sonhar e só queremos coisas. Um marido, uma casa, um bebé um emprego, umas férias. e tornamo-nos escravos dos desejos e do tempo e do espaço e do caneco que nos valha!
Muitas vezes ainda quero ser super cool, super famosa, médica, bióloga, descobrir a cura para tudo e mais alguma coisa e escrever um livro "tão brutal que é!!". E sonho tudo. Não há "ous". E são os momentos em que me encontro com a "minha" menina, fazemos um hi-five e digo "somos super badass, não somos?" E ela diz-me: "obrigada por não te esqueceres do que te prometeste." Super-cool-badass-motherfucker!
20 fevereiro 2013
Era uma vez...
Um dia o desejo sôfrego diminuiu. Quase desapareceu. Desculpava-me e dizia que já não tinha tempo. A verdade, percebo-a agora, é que o tempo que me faltava não era para ler as letras amontoadas em cada linha. O tempo era escasso para viver a vida de outras personagens. Estava finalmente a viver o meu próprio conto de fadas e por isso não sentia a mesma necessidade de me aventurar em qualquer outro conto.
05 janeiro 2012
Assim não...
“Assim não”. Disse estas duas palavrinhas agora mesmo. E lembrei-me. A seguir ao assim não vem sempre um “claro que não!” Mas a seguir a este “assim não”vieram memórias. Nossas. Veio um banco da praça que alguém um dia não queria largar. Um outro banco que um dia serviu de palco para uma sessão fotográfica de 3 raparigas e duas garrafas. Esse mesmo banco um ano depois. Já éramos 5. Já éramos todas =)
Uma “bordolete” que se perdeu…uma parede que se escalou vezes incontáveis. Tocámos o tecto, mudámos a perspectiva do tempo. Caímos e levantámo-nos a mesma quantidade de vezes!
Fizemos coisas proibidas. Voltámos a faze-las. Dançamos. Muito! Até ser de manha! ‘cause nirvana means take your ‘shirt off and We’re so hot and cold, we’re yes and no, in and out. and we gon' rock this club, We gon' go all night, We gon' light it up, seja loira ou morena ;)
Deitámo-nos no meio da estrada. Vimos semáforos a mudar de cor. Vimos constelações de estrelas. Dormimos 1 hora. Dormimos manhas inteiras. Tomámos pequenos-almoços antes de nos deitarmos. Almoçámos às 5h da tarde.
Chorámos. Agora que me lembro…já chorámos tantas vezes! Mas sorrimos muitas mais. Dissemos “eu nunca”. Mas nunca deixámos nada por fazer xD!
Fomos uma família. Daquelas que ficam a ver filmes enroladas numa manta num qualquer divã. Dormimos 3 na mesma cama. Dormimos no chão. Ou simplesmente…não dormimos!
Assim não! Quero mais.
(Escrevi este texto há algum tempo. não me lembro se o tinha chegado a publicar ou não. Mas também não interessa. Porque há coisas que merecem ser repetidas. E dizer que sinto mesmo a vossa falta é uma dessas coisas*)
30 agosto 2011
a nostalgia que impregna o ar
- Setembro: início de aulas
- Até Dezembro: levantar - aulas - comer - aulas - comer - casa - coisas - cama
- Dezembro: as férias de Natal
- Até Março/Abril/Maio (depende do que alguém decide): levantar - aulas - comer - aulas - coisas - cama
- Março/Abril/Maio (novamente, depende do que alguém decide): férias da Páscoa
- Até Junho/Julho: levantar - aulas - comer - aulas - comer - coisas cama / levantar - estudar - exames - estudar - cama - ah! e comer alguma coisa também
- De Julho a Setembro: as bem esperadas Férias de Verão
Com Enterros e Integras-te pelo meio, foram os últimos 4 anos.
Hoje.. Hoje... Hoje acaba uma vida. Hoje acabam os planos, as aulas, as coisas. Acaba uma vida.
Hoje acaba o que conhecemos, o que desejámos prolongar pelo infinito.
Hoje é o dia em que tudo isto acaba. E leia-se hoje como os dias que vivemos nos tempos que correm.
Porque é hoje que acaba.
E é hoje que vai começar um desconhecimento total. E se não formos extremamente cuidadosas, podemos perder o rumo neste Mundo estranho.
"A Vida Era uma Seca"
Mas não sabíamos tão seca que a vida poderia vir a ser.
Volta para nós, Vida Triste, impregnada de sorrisos, diversão e histórias fabulásticas.
Volta para nós, Vida Triste.
Volta para nós, que desta vez dar-te-emos o dobra da importância...
24 janeiro 2011
vou-vos contar uma história a ver se entendemos todos
Somos claramente um grupo do catano. Para lá do fenomenal, não duvidem. Reunimos características perfeitamente inalcançáveis à maioria dos seres que existem por cá. Juntos atingimos um equilíbrio que poucos equilibristas dominam…e nem precisamos de andar na corda bamba.Ora, disto não se vê lá fora. Somos edição limitada. Nem os ferrero rocher são capazes de tal; são sazonais e temos pena. Agora nós…nós somos bem melhores até que os gelados da olá que só existem durante 3-5 dias no verão.
E isto foi tudo estratégia. Chama-se exportação. Escolhemos dois dos nossos melhores exemplares e exportámo-los porque sabemos que terão muito para ensinar à maltinha britânica.
Porque afinal sempre foi a isto que brindámos, à emigração.
Aguardamos assim os relatórios referentes ao reconhecimento de terreno, caracterização dessa nova espécie tão peculiar e, por favor, com p.s.’s gigantes contendo a explicação de como o restante grupo que por cá se encontra a suportar a missão tem características tão mais cativantes que os nativos.
11 dezembro 2010
O livro em que a alma fala
Costumava ler muito. Perdia-me nas páginas dos livros, viajava até sitíos onde nunca fui, era personagem de um conto que nunca tinha ouvido.
Deixei de ler tanto. E sinto falta disso. Falta de poder estar em dois sitíos ao mesmo tempo, falta de ler memórias que não são minhas, de perceber sentimentos que não são os meus, de viver uma vida que não a minha. Ler era um escape. Uma outra forma de perceber o mundo, as coisas, as pessoas. E há um livro especial que me fez perceber tanto, sobre o que somos realmente, o que temos medo de mostrar. Somos humanos, erramos e no fim do dia lamentamos não termos sido mais e melhores. E Nuno lobo Antunes, médico pediatra é capaz de assumir tudo isso. E é capaz de fazer ainda mais. Sem vergonha é capaz de dizer “Sinto muito”.
“Sinto muito”é um livro sobre o sofrimento em geral, sobre a dor, seguida de perda, seguida de dor. Entristece o coração ler este livro. Mas, logo a seguir surge a recompensa: as palavras de um médico que afirma “sentir muito” não ter podido fazer mais, não ter sido capaz de ir mais longe na batalha, não ter sido maior, mais forte, mais vencedor, mas que acima de tudo, não se esquece. Não se esquece, que lutou, lado a lado de pequenos grandes guerreiros. Não esquece as pessoas que têm estado com ele, que têm sido grandes numa batalha tão difícil. E como forma de as homenagear, como forma de fazer lembrar os seus pacientes, escreve-os nas páginas deste livro. Para que toda a gente saiba quem eles foram, para que não seja apenas ele a recorda-los. E saber tudo isto, torna-nos mais leves e melhores, sabedores de que, existe algo de bom no final. Existe este médico que não se esquece. Nuno Lobo Antunes libertou a sua voz nas páginas deste livro, e fez-me ver que afinal a alma também fala.
No prefácio, António Damásio escreve: “Há no médico o desejo de ser santo, de ser maior. Mas na sua memória transporta, como um fardo, olhares, sons, cheiros e tudo o que o lembra de ser menor e imperfeito. Este é um livro de confissões. Uma peregrinação interior em que a bailarina torce o pé, o saltador derruba a barra, o arquitecto se senta debaixo da abóbada, e no fim, ela desaba. O médico e o seu doente são um só, face dupla da mesma moeda. O médico provoca o Criador, não lhe vai na finta, evita o engodo. Mas no cais despede-se, e pede perdão por não ter sido parceiro para tal desafio.” Não somos todos médicos, mas somos todos Humanos. E tal como Nuno Lobo Antunes, também eu transporto olhares, cheiros e sons. Também eu tenho uma memória, também eu sou a junção de todas as pessoas que já passaram na minha vida. Também eu já tive os meus “pacientes”, e tenho marcados em mim, cada traço da face deles. Foram os meus “pacientes”. E eu tentei ser o anjo da guarda deles. Em alguns falhei nessa tarefa. Noutros não fui anjo o suficiente. Mas, mesmo naqueles dias em que estava cansada, com sono, com pouca paciência, quero que saibam que fiz o meu melhor, que me lembro e que não pretendo esquecer-me. E embalada pelas palavras deste médico tão humano, também eu quero dizer que sinto muito por algumas vezes não ter estado à altura. Mas estive sempre lá. Continuo lá. E vou estar sempre lá.
Mais uma vez o escritor, pede que exista um ouvido para ouvir, um coração para partilhar, uma mente que tente compreender. Mais uma vez ele escreve, e confessa-se num novo livro. “Vida em mim”. Neste livro, em processo semelhante, mil vozes se erguem, fantasmas adormecidos despertam, memórias há muito esquecidas retomam brilho e cor, quando o presente e passado se confundem, e uma semana vale uma vida. Olhos que se vêem a si mesmos, e nessa peregrinação interior procuram descobrir o nexo, o sentido de uma existência em que o passado caminha ao lado do presente, numa conversa cúmplice de quem se conhece bem. Deixei de ler tanto. Mas, este livro vou ler de certeza.