E o que nos foi sugerido foi a possibilidade da existência de túneis entre os buracos. Túneis que permitissem fugir quando a cobardia é demasiado elevada para nos deixarmos cair, ou quando chegamos ao fundo e nos magoamos.
E aqui fica a nossa perspectiva da coisa:
Existem sim túneis entre os buracos que são “as pessoas-especiais-com-as-quais-queremos-partilhar-mais-do-que-repenicados-beijinhos-na-cara”. Existem sim túneis que nos permitem fugir para não nos deixarmos cair, ou onde nos refugiamos quando a queda não foi tão agradável quanto sonhávamos que seria. Mas de nada estes túneis nos servem, senão para esbaterem uma qualquer dor que possa existir dentro de nós. Porque se fugimos, e se o conseguimos fazer, foi porque o buraco não nos puxava assim com tanta força, e então o túnel acaba por não ser um real túnel, mas sim um buraco no qual decidimos cair em detrimento do primeiro. Agora se caímos, e já lá no fundo, o buraco deixou de ser tão acolhedor quando o era no decorrer da queda, se se mostrou cheio de espinhos em vez de almofadas daquelas bem fofinhas, aí o túnel apenas servirá para tentar disfarçar a dor que as feridas da queda trouxeram. Mas apenas disfarçar. Porque quando olhamos para trás e vemos um rasgo daquele buraco, mesmo que coberto de espinhos, a dor volta, e a saudade dele permanece. Mesmo que o túnel seja bem mais agradável.
Conclusão: Existem, sem sombra de dúvida, os túneis. E são por vezes usados, por aqueles que não se conseguem levantar sozinhos, por aqueles a quem falta a força para lutar ou que não sabem como tal se faz. Mas sim, sabe bem entrar e percorrer estes túneis.
Conselho: Não usem os túneis. Eles são na mesma pessoas especiais. E as pessoas especiais não podem ser substituídas umas pelas outras. Se querem os túneis, transformem-nos em verdadeiros buracos, e se for isso que querem, trepem de um e atirem-se para ele. Mas não os façam de túneis. Não seria justo. Por mais fracos que sejamos, há que enfrentar as consequências das nossas escolhas, e se escolhemos largar a corda e deixar-nos ir até ao fundo, ou mesmo só até meio caminho, e se no final partimos alguns ossos na queda, há que consertá-los com a ajuda dos muros das nossas vidas, e não com a ajuda de túneis que possamos formar ou mesmo descobrir! [leiam-se muros como sendo as pessoas-especiais-que-nos-apoiam-não-importa-o-que-aconteça, ou seja, amigos].
Resposta à adagio (como o iogurte): Quando descobrimos algo de novo na nossa personalidade, nem tentamos mudar nem tentamos ficar iguais. Continuamos a viver e aprendemos com essa nova descoberta. Haverá sempre algumas a aparecerem. Não é preciso mudar. Apenas o é se o que descobrires não for aquilo que queres ser.
Com o apoio e consentimento de: [KIA]



