
Porque todos nós chegamos a um momento em que devíamos dizer isto, porque apesar de tudo o que nos possa acontecer, temos que nos compôr e seguir em frente.
17 janeiro 2011
Circunstâncias #2

06 janeiro 2011
Porque também não me podia esquecer de ti
E para ti, faltam-me as palavras. Nunca precisámos verdadeiramente de palavras. Sempre nos entendemos melhor sem elas. É por isto que eu não gosto de palavras. São tão pequeninas. Não cabe lá tudo. E tu, sempre percebeste isso. E é por isso que me custa tanto escrever-te alguma coisa. Porque nunca vai ter metade do significado que eu queria que tivesse. Hoje ia para sair de casa, e adivinha? Não sabia onde tinha as chaves. Nunca sei! Virei-me para a porta e abri a boca. Ia-te perguntar onde é que eu tinha deixado as chaves. Tu eras aquela que sabias sempre onde estavam as coisas na minha vida. Adivinhavas sempre o que eu precisava, do que eu andava à procura (e não, não me estou a referir só às chaves). E eras tu que com um sorriso e um olhar que dizia “se não fosse eu…” (ves...nunca precisámos de palavras mesmo) me apontavas na direcção certa. Se não fosses tu…se não fosses tu eu não era a pessoa que sou hoje.
Hoje não me ias responder, se te perguntasse onde tinha deixado as minhas chaves. Não estavas aqui. Mas, tive a ligeira impressão que se te ligasse ias saber onde é que elas estavam. Porque tu conheces-me de cor. Conheces todos os cantos da minha vida.
Quando voltares, não vou precisar de te dizer nada pois não? Vai estar escrito na minha cara.
Para te lembrares...
Sentámo-nos ambas naquela varanda, numa terra totalmente desconhecida, a olhar um ceú que nos parecia familiar. Sempre me soubes-te ler. Não é fácil. Não deixo que ninguém veja o que estou a pensar. Mas a ti, não te conseguia deixar do lado de fora da minha mente. Naquela varanda, naquela terra que muitos consideram Santa, confessámos os nossos erros. Admitimos ter medo. E mesmo sem palavras, mesmo no mais profundo silêncio, admitimos que estavamos ali para fugir aos nossos problemas. Lembro-me que estava sempre vento naquele sitio. E aquele vento sabia-me tão bem. Pareceu-me na altura que me levava todos os medos para longe. E tentei dizer-te para fazeres o mesmo. Para te deixares ir, para sentires o vento, para deixares que ele levasse o passado para longe. Não sei se me ouviste naquela altura, mas sei que acabaste por fazer isso. Hoje nenhuma de nós tem medo. Hoje ambas deixámos o passado para trás. E os erros de que falámos naquela varanda…esses foram levados por aquele vento abençoado para bem longe. Só ficaram as lições que tirámos deles.
Afinal dizer que me tinhas feito chorar com aquele texto não era suficiente. Faltou-me dizer-te isto.
Quando voltares, havemos de nos sentar de novo na varanda. E vais-me contar todas as tuas aventuras. Vais-me falar de erros, e de descobertas fantásticas. Eu vou sorrir, e baixinho vou dizer aquilo que tu já sabes. “Senti a tua falta”
Num momento de saudade antecipada
Se fosse dona de uma tal memória, escolheria as cenas para um filme em que eu seria a realizadora e operadora de camera, e todos os outros os actores e actrizes que passaram pela minha vida.
Aos figurantes, a esses, daria a simples importância que poderão ter tido no seu tempo.
Aos actores e actrizes principais, a esses, dedicaria uma seleccão dos momentos que não necessito de nenhuma artimanha tecnológica para recordar. A vocês, pessoas importantes, ofereceria um filme que compilasse todas as cenas que quero que acreditem que não esquecerei, por mais longe que esteja, por mais tempo que passe, por menos palavras que troque, por mais diferente que o mundo se torne.
E a ti, faria uma selecção especial. Das primeiras palavras que trocámos, como que descobrindo as semelhanças (ainda me lembro dos livros
citados, das escritoras nomeadas); das discussões que ninguém compreendia mas que tanto sentido nos fazia; Das argumentações estúpidas que duravam umas boas horas (sim sim, lembro-me perfeitamente do milhão de mensagens trocadas a discutir o estado dos meus neurónios); Das palavras frias que trocamos quando o resto do mundo está contra nós e é uma na outra que resolvemos descarregar a fúria (continuo a pensar nos meses de verão que nem falar de forma neutra me era possível; dos momentos em que deixo de me fazer de insensível e mostro aquilo que até consigo ser (não tiro da memória aquela noite na varanda de certo edifício, onde se confessaram momentos, onde se olharam estrelas, onde quis mostrar a importância que poderias ter apesar das palavras ríspidas)… Sim sim, estes e muitos mais eu seleccionaria para te lembrar que és uma das atrizes principais da minha (suposta) memória artificial. Até os abraços forçados e aqueles pedichandos eu incluíria.As mudanças são dificeis de ultrapassar. Não haja dúvida.
Mas vir para Aveiro foi uma das mudanças que não me arrepende de ter escolhido, só dos momentos que posso não ter aproveitado ao máximo.
Veremos o que as próximas (me/nos/e também a vocês) trarão…
26 dezembro 2010
Quais férias!?
O Natal já passou, e continuo sem tempo para respirar. É compras pr'áqui, é cafés para ali, é consultas um dia, é passeios no outro. É cozinhar durante horas e comer durante dias. É trabalhos a acumular e as lentes a secar com a luz do pc.
É uma lista enorme de coisas para fazer, e o dito 'Pai Natal' fez o favor de não riscar nenhuma por mim... Mas que se resolver riscar, que acabe lá com os trabalho e as lentes a secar, que com o resto posso eu bem!! E acrescentar umas boas horas de sono, também não ficaria nada mal...
24 dezembro 2010
A mensagem normal da época!

Tomei a liberdade de falar por todas as mininas do 'compõe-te' [se me quiserem bater, esperem até Janeiro, se faz fabor!]
20 dezembro 2010
For good times and bad times...
Os tempos não voltarão ao mesmo, porque não é possível. Mas se o tempo voltasse atrás, teria aberto outra vez o meu coração a todos vós... porque se não fossem tão especiais e eu não fosse sentir Tanto a vossa falta em casa não estaria a chorar que nem uma piegas.. não doeria tanto.

se transformem nestes...
(desculpem por não incluir todos... ;P)
ATÉ JÁ!!! =D
11 dezembro 2010
Não me apetece fazer nada de útil hoje....
...mas, apetece-me comer isto. Sei que há por aí alguém a apanhar uma overdose de ursinhos de goma neste preciso momento, e eu até partilho DNA com essa pessoa. Pelos vistos partilho também o gosto por gomas!(Não, a imagem não é mórbida. É fofo. Ursinhos de goma a ajudarem-se uns aos outros. É fofo, doce, e uma maneira gira de existirem ursos de goma multisabores.)
O livro em que a alma fala
Costumava ler muito. Perdia-me nas páginas dos livros, viajava até sitíos onde nunca fui, era personagem de um conto que nunca tinha ouvido.
Deixei de ler tanto. E sinto falta disso. Falta de poder estar em dois sitíos ao mesmo tempo, falta de ler memórias que não são minhas, de perceber sentimentos que não são os meus, de viver uma vida que não a minha. Ler era um escape. Uma outra forma de perceber o mundo, as coisas, as pessoas. E há um livro especial que me fez perceber tanto, sobre o que somos realmente, o que temos medo de mostrar. Somos humanos, erramos e no fim do dia lamentamos não termos sido mais e melhores. E Nuno lobo Antunes, médico pediatra é capaz de assumir tudo isso. E é capaz de fazer ainda mais. Sem vergonha é capaz de dizer “Sinto muito”.
“Sinto muito”é um livro sobre o sofrimento em geral, sobre a dor, seguida de perda, seguida de dor. Entristece o coração ler este livro. Mas, logo a seguir surge a recompensa: as palavras de um médico que afirma “sentir muito” não ter podido fazer mais, não ter sido capaz de ir mais longe na batalha, não ter sido maior, mais forte, mais vencedor, mas que acima de tudo, não se esquece. Não se esquece, que lutou, lado a lado de pequenos grandes guerreiros. Não esquece as pessoas que têm estado com ele, que têm sido grandes numa batalha tão difícil. E como forma de as homenagear, como forma de fazer lembrar os seus pacientes, escreve-os nas páginas deste livro. Para que toda a gente saiba quem eles foram, para que não seja apenas ele a recorda-los. E saber tudo isto, torna-nos mais leves e melhores, sabedores de que, existe algo de bom no final. Existe este médico que não se esquece. Nuno Lobo Antunes libertou a sua voz nas páginas deste livro, e fez-me ver que afinal a alma também fala.
No prefácio, António Damásio escreve: “Há no médico o desejo de ser santo, de ser maior. Mas na sua memória transporta, como um fardo, olhares, sons, cheiros e tudo o que o lembra de ser menor e imperfeito. Este é um livro de confissões. Uma peregrinação interior em que a bailarina torce o pé, o saltador derruba a barra, o arquitecto se senta debaixo da abóbada, e no fim, ela desaba. O médico e o seu doente são um só, face dupla da mesma moeda. O médico provoca o Criador, não lhe vai na finta, evita o engodo. Mas no cais despede-se, e pede perdão por não ter sido parceiro para tal desafio.” Não somos todos médicos, mas somos todos Humanos. E tal como Nuno Lobo Antunes, também eu transporto olhares, cheiros e sons. Também eu tenho uma memória, também eu sou a junção de todas as pessoas que já passaram na minha vida. Também eu já tive os meus “pacientes”, e tenho marcados em mim, cada traço da face deles. Foram os meus “pacientes”. E eu tentei ser o anjo da guarda deles. Em alguns falhei nessa tarefa. Noutros não fui anjo o suficiente. Mas, mesmo naqueles dias em que estava cansada, com sono, com pouca paciência, quero que saibam que fiz o meu melhor, que me lembro e que não pretendo esquecer-me. E embalada pelas palavras deste médico tão humano, também eu quero dizer que sinto muito por algumas vezes não ter estado à altura. Mas estive sempre lá. Continuo lá. E vou estar sempre lá.
Mais uma vez o escritor, pede que exista um ouvido para ouvir, um coração para partilhar, uma mente que tente compreender. Mais uma vez ele escreve, e confessa-se num novo livro. “Vida em mim”. Neste livro, em processo semelhante, mil vozes se erguem, fantasmas adormecidos despertam, memórias há muito esquecidas retomam brilho e cor, quando o presente e passado se confundem, e uma semana vale uma vida. Olhos que se vêem a si mesmos, e nessa peregrinação interior procuram descobrir o nexo, o sentido de uma existência em que o passado caminha ao lado do presente, numa conversa cúmplice de quem se conhece bem. Deixei de ler tanto. Mas, este livro vou ler de certeza.
06 dezembro 2010
(Our) Wishlist
Tempo. É a falta de tempo que mais me tem incomodado estes dias. E o tempo tem sido o tema principal dos últimos posts neste blog.
Em tempos existiu uma lista. Era a lista de coisas que deviamos fazer antes de sairmos de
Aveiro. Estava pendurada num sitio bem visivel. Cada vez que atravessavamos aquele corredor eramos obrigados a olhar para ela, e a pensar em todas as coisas que ainda iamos poder fazer. E sorriamos, quando imaginavamos os anos que ainda tinhamos pela frente. Ainda não completámos mais de metade dessa lista . E sinceramente é dificil recordar-me se a lista ainda la está. Se quando atravessar aquele corredor ainda vou poder ve-la lá. Se quando atravessar aquele corredor ainda vou ter a sensação de que nos falta fazer tanto, de que ainda podemos fazer tanta coisa. Mas há uma coisa que não esqueço. Que ela esteve lá um dia. Que ela foi a nossa wishlist um dia.
O tempo tem-me incomodado ultimamente. A falta de tempo. Mas se ele corre à nossa frente, só temos uma solução. Correr atrás dele. E façam-me um favor. Prometam-me que enquanto o fazemos, vamos riscando cada item da lista. Do mais simples até ao mais parvo. Até cada uma das frases que lá foram escritas ter um sinal de aprovação à sua frente. Até que cada uma das frases escritas naquele pedaço de papel nos traga uma recordação.
Merecemos isso. Merecemos uma lista completa!